23 de Outubro de 2021

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Alterações Climáticas

Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (PIAAC-CIM-RC)
 
O clima tem-se alterado ao longo da História. Nos últimos 650.000 anos ocorreram sete ciclos de glaciações (alterações climáticas naturais de período longo com cerca de 100.000 anos), que terminaram na última glaciação há cerca de 7.000 anos. A maior parte das alterações climáticas verificadas foram atribuídas a variações diminutas da órbita terrestre que alteraram a quantidade de energia solar que o nosso planeta recebia.
O padrão atual de aquecimento tem uma importância particular uma vez que a comunidade científica atribui a sua principal causa aos fatores antropogénicos, o que, associado a um ritmo nunca observado nos últimos 1.300 anos, constituem um dos maiores desafios ambientais à escala global deste século.
 
A capacidade do dióxido de carbono (CO2) e de outros gases de efeito estufa (metano, CH4, e óxido nitroso, N2O) em captar energia em forma de calor foi demonstrada a meados do século XIX. Através da análise de núcleos de gelo recolhidos na Gronelândia e Antártida demonstrou-se que o clima da Terra responde a alterações nos níveis dos gases de efeitos de estufa (GEE). 
Também se mostrou que, no passado, alterações drásticas no clima ocorreram de forma rápida (em termos geológicos): em centenas de anos e não em milhões ou milhares de anos. Estas análises dos núcleos de gelo permitiram recuar no tempo e “visualizar” a atmosfera terrestre e o clima passado, tendo evidenciado que os níveis de CO2 na atmosfera são superiores aos níveis verificados nos últimos 400.000 anos 
Variações dos níveis de CO2 atmosférico ao longo dos últimos 400.000 anos (fonte: https://climate.nasa.gov)
 
Durante as glaciações, os níveis de CO2 rondaram as 200 partes por milhão (ppm), e durante os períodos interglaciares mais amenos, subiram até às 280 ppm. Desde 1950, que os níveis de CO2 na atmosfera ultrapassaram as 300 ppm, tendo vindo a aumentar continuamente desde essa data, tendo em 2013, ultrapassado, pela primeira vez desde que há registos, as 400 ppm.”
Dos três gases com efeitos de estufa mencionados acima, o CO2 é o que provoca um maior forçamento radiativo na atmosfera. Tendo em conta que as principais fontes de emissão de CO2 são a queima de combustíveis fosseis (carvão, petróleo e gás natural) e a desflorestação (até 25% das emissões globais), se a exploração que é feita atualmente continuar ao mesmo ritmo, o CO2 continuará a aumentar, podendo atingir níveis da ordem das 1500 ppm. Desta forma, nos próximos milhares de anos futuros será impossível regressar aos níveis de CO2 pré-industriais. 
Estamos assim, hoje, perante uma nova Era Geológica a que alguns investigadores nomearam de “Antropoceno”, em virtude do impacte global significativo das atividades humanas no clima da Terra e no funcionamento dos seus ecossistemas.
In PIAAC-CIM-RC, set. 2017.
 
“A sustentabilidade e a transição para uma economia mais segura, neutra em carbono e resiliente ao clima, mais eficiente na utilização dos recursos e circular, constituem fatores de competitividade de longo prazo para a economia europeia. Assim, será necessário investir na transição para um modelo económico que contribua para os objetivos ambientais definidos a nível europeu, nomeadamente: atenuar os efeitos das alterações climáticas; promover a adaptação às alterações climáticas; promover a utilização sustentável e a proteção dos recursos hídricos e dos recursos marinhos; assegurar a transição para uma economia circular, e a prevenção e a reciclagem dos resíduos; assegurar a prevenção e o controlo da poluição e a proteção da biodiversidade e restauração dos ecossistemas.” 
In Carta de Compromisso para Financiamento Sustentável em Portugal, 2019.
 
A Neutralidade Carbónica tem o comprometimento de atingir um equilíbrio global entre emissões e remoções de gases com efeitos de estufa na segunda metade do século. Portugal pretende cumprir tal meta até 2030. Vamos a tempo? Compete a cada um de nós reduzir a nossa “pegada ecológica”, para que em conjunto consigamos cumprir esta ambiciosa missão.  
 
A Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra considerou prioritário elaborar um Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (PIAAC-CIM-RC), que contemple o conhecimento das especificidades sectoriais do território, a avaliação da sua vulnerabilidade atual e futura às alterações climáticas, assim como a identificação, definição e priorização de medidas de adaptação específicas, contribuindo para a integração da adaptação nos instrumentos governativos, em particular nos planos, políticas e medidas da CIM-RC e de seus Municípios.
São objetivos do PIAAC-CIM-RC:
I. Melhorar o conhecimento sobre as relações diretas e indiretas que o clima e a sua alteração têm sobre o sistema natural e social da CIM-RC, focando áreas temáticas tidas como prioritárias; 
II. Contribuir para a definição de uma estratégia que permita reduzir a vulnerabilidade do território da CIM-RC aos impactes das alterações climáticas, através da promoção da adaptação com base na evidência científica, no conhecimento contextual dos técnicos municipais e nos contributos das suas populações; 
III. Explorar oportunidades em alguns segmentos socioeconómicos; 
IV. Contribuir para a integração da adaptação nos instrumentos governativos existentes, em particular nos planos, políticas e medidas da CIM-RC e dos seus Municípios.” 
In PIAAC-CIM-RC, set. 2017.