
As Festas de São Tomé 2026 terminaram com um balanço extremamente positivo, afirmando-se, uma vez mais, como o maior evento anual do concelho de Mira e um dos mais relevantes da região Centro. Ao longo de cinco dias, milhares de visitantes passaram pelo recinto das festas, num programa diversificado que conciliou tradição, cultura, música, gastronomia, património, desporto e participação comunitária.
A edição deste ano ficou marcada por uma forte aposta na valorização da identidade local, tendo como tema central a história dos Palheiros de Mira, hoje Praia de Mira, precisamente no ano em que a estância balnear assinala os 40 anos consecutivos de Bandeira Azul.
A abertura oficial contou com a presença do Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, que inaugurou um certame onde o movimento associativo voltou a assumir um papel determinante. As tasquinhas das associações, os expositores, a animação permanente e a promoção da gastronomia gandaresa transformaram o recinto num espaço de encontro, convívio e celebração das tradições locais.
O cartaz musical reuniu alguns dos maiores nomes da música portuguesa e atraiu milhares de pessoas ao recinto, com concertos de Os Quatro e Meia, Quim Barreiros, Némanus, entre muitos outros artistas e bandas que, ao longo dos cinco dias, proporcionaram momentos de grande animação. A programação integrou ainda animação itinerante, folclore, bandas filarmónicas, atividades para famílias e diversas iniciativas culturais.
Entre os momentos institucionais de maior significado destacou-se a celebração do Dia das Comunidades e das Cidades Amigas, que contou com a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. O programa reuniu emigrantes, imigrantes e representantes de diversas nacionalidades residentes no concelho, num dia dedicado à integração, à multiculturalidade e ao reforço dos laços entre comunidades.
As celebrações religiosas voltaram a ocupar um lugar central nas festividades. A tradicional Procissão das Velas, na noite de 24 de julho da capela do casal de São Tomé até à igreja matriz de Mira, e as cerimónias do Feriado Municipal, no dia 25, reuniram milhares de fiéis e visitantes. O programa incluiu a bênção dos romeiros, a tradicional arruada pela Filarmónica Ressurreição de Mira, a Feira Medieval, a Missa Solene e a majestosa Procissão em honra de São Tomé, acompanhada pelas bandas filarmónicas do concelho e pela Charanga a Cavalo da Guarda Nacional Republicana. O dia terminou com o concerto conjunto das bandas filarmónicas, um espetáculo piromusical e a atuação da banda Top Som.
As Festas de São Tomé voltaram igualmente a afirmar-se como um espaço de encontro entre gerações, acolhendo iniciativas dirigidas aos mais diversos públicos, como a celebração do Dia dos Avós com as Instituições Particulares de Solidariedade Social do concelho, a apresentação do livro Dias de um Operário das Letras, de J. Rocha Diniz, a visita do projeto +ClimaGir, a experiência de realidade virtual promovida pelo Oceanário de Lisboa e um conjunto de oficinas, exposições e atividades culturais distribuídas por vários espaços do recinto.
Um dos momentos mais marcantes desta edição aconteceu no dia 26 de julho, inteiramente dedicado ao legado da Professora Doutora Raquel Soeiro de Brito. Durante a manhã foi inaugurada, no Museu e Posto de
Turismo Palheiros de Mira, a exposição Um Chão de Areia – Palheiros de Mira nas Fotografias da Geografia Portuguesa (1940-1970). Da parte da tarde, o Atrium Raul Almeida encheu por completo para uma emotiva homenagem à autora e para a apresentação da reedição fac-similada da obra Palheiros de Mira – Formação e Declínio de um Aglomerado de Pescadores, publicada originalmente em 1960.
A cerimónia contou com a presença da centenária autora, que foi longamente aplaudida e autografou cerca de duas centenas de exemplares da obra. O momento foi enriquecido pela atuação de Simone Toito, pela apresentação e moderação do Vice-Presidente da Câmara Municipal e Vereador da Cultura, Tiago Cruz, pela intervenção do Presidente Artur Fresco, autor da nota introdutória desta edição, e do Professor Carlos Pereira da Silva, que destacou a relevância científica da obra e o extraordinário contributo da Professora Raquel Soeiro de Brito para o conhecimento da realidade dos Palheiros de Mira.
Na tarde do mesmo dia realizou-se ainda a tradicional cerimónia de homenagem aos trabalhadores do Município de Mira, durante a qual foram distinguidos os colaboradores aposentados e aqueles que completaram 25 anos de serviço, num reconhecimento público pelo seu profissionalismo, dedicação e contributo para o desenvolvimento do concelho.
A sustentabilidade voltou igualmente a assumir um papel de destaque, com as Festas de São Tomé a serem novamente distinguidas como EcoEvento ERSUC. A implementação de um sistema de recolha seletiva de resíduos, a formação ministrada às associações participantes e as ações de sensibilização ambiental reforçaram o compromisso do Município com a organização de eventos ambientalmente responsáveis.
O Município de Mira agradece a todos os que contribuíram para o sucesso desta edição das Festas de São Tomé 2026 — associações, voluntários, expositores, artistas, forças de segurança, bombeiros, profissionais de saúde, serviços municipais, patrocinadores e milhares de visitantes — que, com o seu empenho e participação, fizeram deste evento um verdadeiro momento de encontro e celebração da identidade do concelho.
Um agradecimento muito especial à Professora Doutora Raquel Soeiro de Brito, que, aos 100 anos, aceitou o convite do Município para regressar a Mira e partilhar com a comunidade um momento de enorme significado. A sua presença tornou a homenagem e a apresentação da reedição fac-similada da sua obra num acontecimento inesquecível, aproximando gerações em torno da história e da memória dos Palheiros de Mira.
O Município dirige igualmente uma palavra de especial reconhecimento à artista plástica Sara Marcus, pela generosa cedência de peças para a exposição temática instalada na tenda das festas, enriquecendo o espaço dedicado aos Palheiros de Mira, e ao realizador Tiago Cerveira, pela disponibilização do documentário Rostos da Aldeia, cuja exibição permitiu dar a conhecer e preservar memórias, rostos e histórias profundamente ligadas à Praia de Mira e às suas gentes.
As Festas de São Tomé 2026 demonstraram, uma vez mais, a capacidade de Mira para organizar um evento de grande dimensão, conciliando tradição, cultura, património, animação e participação comunitária. Mais do que uma festa, continuam a ser o momento maior de afirmação da identidade do concelho, preservando a memória coletiva enquanto projetam Mira para o futuro.